Agenda de Concertos de Ana Bacalhau em 2026
- 21 de janeiro – Lisboa
- 5 de dezembro – Almada
Um pouco da história de... Ana Bacalhau
A voz que parecia simples — e nunca foi
Ana Bacalhau nasceu em Lisboa, a 5 de novembro de 1978, mas a sua história começa muito antes das datas e dos currículos. Começa numa voz reconhecível à primeira nota, dessas que ficam no ouvido e no peito. Ficou conhecida como a cara e a alma dos Deolinda, grupo que soube pegar no fado, nas canções populares e numa certa ironia portuguesa e devolvê-las com frescura. Simples? Nem por isso. Parecia, mas nunca foi.
Entre livros, arquivos e canções
Antes dos palcos cheios, houve bibliotecas, arquivos e estudo sério. Ana licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, com português e inglês, e ainda fez uma pós-graduação em Ciências Documentais. Trabalhou como arquivista até 2009, o que ajuda a explicar esta relação tão cuidada com as palavras. Aos 15 anos já tocava guitarra e cantava, mas a música caminhava ao lado de uma vida “normal”. Até deixar de o ser.
Deolinda, o ponto de viragem
Em 2006 nascem os Deolinda e, pouco depois, o país começa a ouvir-se ao espelho. As letras falavam de nós — do desenrascanço, da ironia, do desconforto — e a voz de Ana dava-lhes verdade. Em 2009, larga o trabalho de arquivista e dedica-se à música a tempo inteiro. Uma decisão corajosa, daquelas que não aparecem nos manuais, mas mudam tudo.
Colaborações, causas e curiosidade constante
A partir daí, o percurso expande-se. Jazz, blues, tributos, colaborações improváveis e outras nem tanto. Participa no projeto “One Woman” da ONU, escreve crónicas, canta com Mafalda Veiga, Júlio Resende, Samuel Úria, Sérgio Godinho, Rita Redshoes. Aqui está a coisa curiosa: Ana Bacalhau nunca parece “emprestada” aos projetos dos outros. Está inteira. Sempre.
Nome Próprio, finalmente
Em 2017 lança o primeiro álbum a solo, “Nome Próprio”. O título não engana. É um disco mais íntimo, mais direto, onde a voz continua doce, mas as ideias são firmes. Pelo meio, surgem livros, projetos pedagógicos sobre igualdade de género, televisão, publicidade, versões inesperadas na rádio. Honestamente, é difícil acompanhá-la sem sentir que ela está sempre um passo à frente.
Uma artista que cresce connosco
Ana Bacalhau não grita, não força, não acelera. Cresce. E cresce connosco, com quem a ouve há anos e percebe que maturidade também pode soar leve. Talvez seja isso que a torna tão próxima. Uma voz que não precisa de provar nada, mas continua, teimosamente, a dizer muito.



