Agenda de Concertos de Camané em 2026
- 11 de janeiro – Óbidos
- 7 de fevereiro – Arrentela
Um pouco da história de... Camané
Camané, a voz que ficou — e ainda fica
Camané não apareceu de repente. Foi-se fazendo, aos poucos, quase por acaso. Nasceu em Oeiras, em 1966, numa casa cheia de discos e silêncios curiosos. Enquanto recuperava de uma doença em criança, ficou sozinho com a coleção dos pais. Beatles, Sinatra, Aznavour… e depois o choque: o fado. Estranho, nasal, quase irritante. Até deixar de ser. Porque, às vezes, o ouvido aprende antes do coração.
Aprender na rua, como antigamente
A primeira vez que cantou em público não foi num grande palco. Foi num restaurante, o Cesária, em Alcântara. Pediu para cantar. Simples assim. E nunca mais parou. Com 11 anos já estava na Grande Noite do Fado; aos 13, venceu. Não acabou os estudos, trabalhou no Arsenal do Alfeite, cumpriu tropa. Vida real, sem glamour. Mas à noite, nas casas de fado — O Faia, Café Luso, Senhor Vinho — fazia-se escola. Uma escola dura, de resistência, onde se aprende a ouvir e a esperar.
Quando a voz encontra o seu tempo
Nos anos 90, tudo encaixa. O primeiro disco, Uma Noite de Fados, surge em 1995 e muda o jogo. Ao vivo, sem filtros. E aparece José Mário Branco. Aqui está o ponto-chave. Produtor, cúmplice, provocador. Juntos, criam discos que não envelhecem mal — Na Linha da Vida, Esta Coisa da Alma. O público cresce, os concertos multiplicam-se, o estrangeiro chama. França, Holanda, Itália. E sim, o fado aguenta viagens longas.
Fado, mas não só — e ainda bem
Honestamente, Camané nunca ficou fechado numa gaveta. Cantou com Sérgio Godinho, Xutos, Dead Combo. Entrou nos Humanos, reviveu António Variações. Houve quem estranhasse. Depois percebeu. O fado não se perde quando conversa; ganha fôlego. E o próprio Camané explica isso sem rodeios: a emoção vem do fado, mesmo quando o género muda.
Maturidade, perdas e permanência
Os anos passam. Há prémios, Coliseus cheios, Nova Iorque a ouvir em silêncio. Há também perdas — a morte de José Mário Branco em 2019 fecha um ciclo. Mas a voz continua. Em 2022, canta Pessoa com Mariano Deidda. E soa atual, sem forçar. Talvez seja isso. Camané não tenta ser moderno. Limita-se a ser verdadeiro. E, curiosamente, isso nunca sai de moda.
Já pensou nisso? Algumas vozes não explicam o país. Sentem-no. E ficam.


