Agenda de Concertos de Gisela João em 2025
- 24 de abril – Leiria
- 10 de maio – Maia
- 10 de junho – Abrantes
- 12 de junho – Mealhada
- 29 de junho – Oeiras
- 6 de julho – Vila Franca de Xira
- 22 de agosto – Aveiro
- 25 de agosto – Carvalhal Benfeito
- 26 de setembro – Lisboa
Agenda de Concertos de Gisela João em 2024
- 16 de fevereiro – Silves
- 17 de fevereiro – Caldas da Rainha
- 9 de junho – Lisboa
- 21 de julho – Sertã
- 16 de agosto – Portel
Um pouco da história de... Gisela João
Gisela João: quando o fado encontra o presente sem pedir licença
Há vozes que entram devagar e ficam para sempre. A de Gisela João é assim. Nascida em Barcelos, a 6 de novembro de 1983, Gisela João Gomes Remelhe cedo mostrou que o fado não seria para ela um exercício de nostalgia, mas um território vivo, inquieto e atual. E talvez seja isso que a torna tão próxima de quem a ouve hoje: respeito pela tradição, sim, mas sem vitrines nem poeira.
Uma infância com fado ao fundo
O interesse pelo fado surge cedo, aos oito anos, quase como quem descobre um segredo antigo em casa. Na adolescência, entre os 16 e os 17 anos, canta na Adega Lusitana, em Barcelos, enquanto cresce a certeza de que aquela música não a largaria. Em 2000 muda-se para o Porto, oficialmente para estudar Design. Extraoficialmente, para cantar. Porque, you know what?, há escolhas que fingimos não fazer.
Durante seis anos vive no Porto, canta em casas de fado, aprende o palco e a solidão. Até que o canto se impõe e Lisboa chama. Na Mouraria, numa casa emprestada, enfrenta dúvidas, cansaço e a vontade de desistir. Não desistiu. Primeiro conquista meia Lisboa, depois Lisboa inteira — das casas de fado ao Lux, do CCB ao Teatro São Luiz. Um percurso sem atalhos.
2013: o disco que mudou tudo
O ano de 2013 marca a viragem definitiva com o álbum de estreia “Gisela João”. Lançado a 1 de julho, chega ao primeiro lugar do top nacional em apenas duas semanas. A crítica reage em uníssono: Blitz, Expresso, Público, Time Out. Disco de Platina. Prémio Revelação Amália. Globo de Ouro para Melhor Intérprete. O júri do Prémio José Afonso vai ainda mais longe, dizendo que é “a melhor voz que apareceu depois de Amália”. É muita coisa para digerir. Mas fez sentido.
Em 2015 esgota o Coliseu do Porto e o Coliseu dos Recreios. Leva o fado para França, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Espanha. Participa no álbum “Amália: As Vozes do Fado”, cantando “Medo” e “Meu Amor, Meu Amor” num dueto com Camané. Pelo meio, cria “Caixinha de Música”, uma série de espetáculos onde homenageia nomes tão diversos como Nick Cave, Amy Winehouse ou Leonard Cohen. Fado? Sim. Só fado? Não exatamente.
Nua, Louca e cada vez mais autora
Em 2016 chega “Nua”, o segundo álbum. Um disco feito de clássicos, tradições e canções contemporâneas, com autores como Cartola, Alexandre O’Neill, Capicua e Alain Oulman. A Blitz considera-o o segundo melhor álbum português do ano. Três anos depois, silêncio de estúdio. Mas não estagnação.
Em 2021 regressa com “Louca”, single que anuncia “AuRora”. Gravado entre Lisboa e Barcelona, é o primeiro álbum totalmente original e o primeiro com composições da própria Gisela. Há algo de simbólico aqui. Let me explain: depois de afirmar a intérprete, afirma-se a autora. O fado continua lá. Só que agora fala também com a voz de quem o escreve.
Gisela João não modernizou o fado. Isso seria pouco. Ela trouxe-o para o presente, sem pedir desculpa, sem efeitos especiais. Cantou-o como quem respira. E talvez por isso continue a soar tão verdadeiro.


