Agenda de Concertos de Resistência em 2026
- 10 de janeiro – Coliseu (Porto)
- 6 de fevereiro – Coliseu dos Recreios (Lisboa)
- 20 de fevereiro – Celorico da Beira
Agenda de Concertos de Resistência em 2025
- 31 de maio – Coruche
- 10 de junho – Marinha Grande
- 23 de julho – Mira
- 5 de agosto – Horta
- 8 de agosto – Vouzela
- 10 de agosto – Portimão
- 23 de agosto – Alpiarça
Agenda de Concertos de Resistência em 2024
- 24 de fevereiro – Freixo de Espada-à-Cinta
- 23 de junho – Vila Velha de Ródão
- 29 de julho – Idanha-a-Nova
- 24 de agosto – Mangualde
- 7 de setembro – Faro
- 28 de setembro – Elvas
Um pouco da história de... Resistência
Resistência: quando várias vozes decidem cantar juntas
Há bandas que marcam uma época. E depois há projetos que atravessam gerações sem pedir licença. A Resistência pertence claramente ao segundo grupo. Surgiu no início dos anos 90 como um encontro improvável de músicos já consagrados, vindos de universos distintos, mas unidos por uma ideia simples e poderosa: dar uma nova vida às canções, despidas de excessos, centradas na voz e na emoção.
O ponto de partida foi Pedro Ayres Magalhães, Fernando Cunha, Tim e Miguel Ângelo. Juntos, pensaram num formato quase contra a corrente da época. Menos eletricidade, mais madeira. Menos pressa, mais respiração. As guitarras acústicas ganharam espaço e as vozes passaram a ser o verdadeiro centro do palco. E quando várias vozes fortes se encontram, algo acontece. Não é magia, mas anda lá perto.
Um supergrupo, mas sem pose de estrela
Rapidamente, o núcleo inicial cresceu. Entraram Olavo Bilac, Alexandre Frazão, Fernando Júdice, Rui Luís Pereira, Fredo Mergner, Yuri Daniel e José Salgueiro. Cada um trouxe a sua bagagem, o seu sotaque musical, a sua história. O resultado não foi uma colagem forçada, mas uma identidade própria, reconhecível ao primeiro acorde.
O repertório da Resistência tornou-se um verdadeiro mapa da música portuguesa moderna. Canções dos Xutos & Pontapés, Delfins, Sitiados, Rádio Macau ou Heróis do Mar ganharam outra pele. Não perderam força, ganharam densidade. Quem ouviu “Não Sou o Único” ou “A Noite” neste formato sabe do que se fala. Soam diferentes. E soam certas.
Parar para voltar melhor
Em 1995, o grupo suspendeu a atividade. Cada músico regressou aos seus projetos, como quem fecha um parêntesis importante. Durante anos, a Resistência viveu na memória coletiva, em discos gastos e histórias contadas entre amigos. Parecia suficiente. Mas não era o fim.
Em 2012, a reedição do repertório na caixa “As Vozes de Uma Geração” reacendeu a chama. Vieram os concertos no Campo Pequeno e no Multiusos de Guimarães. Casas cheias, emoção à flor da pele. O público respondeu, e a banda também. Pedro Jóia e Mário Delgado juntaram-se à formação, trazendo novas cores à paleta sonora.
O passado respeitado, o presente vivido
Desde então, a Resistência manteve uma atividade regular. Concertos em Portugal, atuações no estrangeiro, com destaque para o Bataclan, em Paris, num reencontro intenso com a comunidade emigrante. Em 2015, o álbum “Horizonte” mostrou que o grupo não vive apenas de revisitar o passado. Há criação, há risco, há vontade de continuar.
Seguiram-se discos ao vivo, homenagens sentidas como “A Gente Vai Continuar”, dedicada a Jorge Palma, e o álbum “Ventos & Mares”, onde novas referências entraram no alinhamento. Sempre com respeito, nunca com reverência excessiva.
Memória, resistência e futuro
Em 2024, no ano dos 50 anos do 25 de Abril, a Resistência gravou “Canções da Revolução”. Não foi um gesto nostálgico, mas um lembrete. Estas músicas continuam a dizer coisas. Continuam a fazer falta.
Mais de 30 anos depois, com concertos especiais de Ano Novo e salas esgotadas, a Resistência prova que algumas ideias envelhecem bem. Talvez porque nunca foram feitas para o imediato. Foram feitas para ficar. E ficam.



