Agenda de Concertos de Sérgio Godinho em 2026
Agenda de Concertos de Sérgio Godinho em 2025
- 24 de abril – Seixal
- 25 de abril – Leiria
- 27 de abril – Fafe
- 28 de setembro – Carnide, Lisboa
Agenda de Concertos de Sérgio Godinho em 2024
- 4 de março – Ponte de Lima
- 16 de março – Caldas da Rainha
- 20 de março – Coliseu dos Recreios
- 21 de março – Coliseu dos Recreios
- 23 de março – Coliseu Porto
- 24 de março – Coliseu Porto
- 6 de abril – Tomar
- 19 de abril – Samora Correia
- 20 de abril – Benavente
- 24 de abril – Évora
- 27 de abril – Lousada
- 28 de abril – Benfica
- 6 de julho – Rio de Mouro
- 12 de julho – Funchal
- 14 de agosto – Mortágua
- 1 de setembro – Corroios
Um pouco da história de... Sérgio Godinho
Sérgio Godinho: palavras que caminham connosco
Falar de Sérgio Godinho é falar de canções que não ficam paradas no tempo. Andam connosco. Crescem, envelhecem, voltam a fazer sentido. Poeta, compositor, intérprete, ator — a lista de rótulos existe, mas nenhum explica bem o todo. Talvez “contador de histórias” seja o mais justo, mesmo que soe simples demais.
Do Porto para o mundo, sem mapa definido
Nascido no Porto, em 1945, Sérgio Godinho cresceu rodeado de música. A casa tinha discos, referências francesas e anglo-saxónicas, e um ouvido sempre atento. Ainda jovem, deixou Economia e saiu do país. Primeiro a Suíça, para estudar Psicologia com Jean Piaget, depois Paris, onde viveu o Maio de 68 e integrou o musical “Hair”. Não foi turismo cultural. Foi formação a sério.
Em França, rodeou-se de outros músicos portugueses e começou a escrever canções, curiosamente em francês. Mais tarde, no Canadá, viveu em comunidade, fez teatro e recebeu a notícia do 25 de Abril. Esse momento puxou-o de volta. E mudou tudo.
Canções que não pedem licença
O início dos anos 70 marcou a entrada definitiva na música portuguesa. Os primeiros discos foram alvo de censura, proibições e voltas atrás. “Os Sobreviventes” chegou a ser interdito dias depois de sair. Mesmo assim, foi considerado o melhor disco do ano. Uma contradição? Talvez. Mas muito reveladora.
Depois do regresso a Portugal, surgiram canções que ainda hoje são referências: “Com um Brilhozinho nos Olhos”, “O Primeiro Dia”, “É Terça-Feira”. Não eram slogans nem palavras de ordem. Eram observações atentas do país e das pessoas, ditas com ironia, ternura e uma certa inquietação.
Música, cinema, teatro — tudo ligado
Ao longo dos anos, Sérgio Godinho nunca ficou quieto. Fez bandas sonoras para cinema, participou como ator, escreveu peças de teatro, realizou filmes para televisão. Ao mesmo tempo, lançava discos com regularidade, sempre diferentes entre si. “Pano-cru”, “Campolide”, “Canto da Boca” ou “Coincidências” mostram fases distintas, mas uma coerência clara.
As colaborações com músicos brasileiros nos anos 80 abriram portas e trouxeram novas sonoridades. Mais tarde, surgiram discos ao vivo, espetáculos mais intimistas e projetos que revisitavam o seu próprio repertório. Não por falta de ideias novas, mas por curiosidade.
Olhar em volta e escrever sobre isso
Nos anos 90 e 2000, Sérgio Godinho manteve esse hábito raro: observar o mundo à sua volta e transformá-lo em canção. “Tinta Permanente”, “Domingo no Mundo”, “Lupa” ou “Ligação Direta” mostram um autor atento às mudanças, sem perder a voz própria. Em paralelo, escreveu livros, crónicas, contos e até um romance.
Em 2018, já septuagenário, lançou “Nação Valente”. Um disco atual, crítico, nada acomodado. E em 2023, mais de 40 artistas juntaram-se para cantar “O Primeiro Dia”. Um gesto coletivo que diz muito sobre o lugar que ocupa.
O tempo passa. As canções ficam
Sérgio Godinho nunca pareceu interessado em consensos fáceis. Prefere perguntas a respostas fechadas. Talvez seja isso que faz as suas canções resistirem. Não explicam tudo, mas acompanham.
E no meio de tanta mudança, ouvir Sérgio Godinho continua a ser uma forma de parar um pouco. Pensar. E seguir caminho.



